sábado, 5 de abril de 2014

(Re)Encontro

   Durante muitos ciclos me afastei de pessoas que certamente me faziam bem, pensava talvez que nada daquilo que fazia, sem pensar, não faria diferença no fim. Passei a vida tentando me encontrar, virar em uma esquina e se deparar comigo, mas esse dia demorou. Notei que ela me olhava e ria, mas não significava muita coisa, eram apenas sorrisos; quando nos falamos nossas bocas se encontraram e tudo mais fluiu como se fosse  algo já posto. Desencontros durante nosso caminho se tornaram comuns, mas sempre fazíamos um outro caminho para nos encontrar e amar cada dia mais.
   Foi naquela noite de comemorações, com um leve gosto de despedida, de romance e de algo mais que não sei ao certo, que aquela pequena foi criada. Trajada ainda por nada fazia meu peito insuflar de tal forma que não havia palavras que descrevessem tais momentos, sua portadora sorria, chorava, comia e dormia com a esperança de vê-la chorar para assim lhe dar carinho.
   O tempo com toda sua generosidade lhe deu um fardo para carregar, mas não se engane ao pensar que todos os fardos são ruins, não é assim. Este fardo era o que enchia todos os dias as varias cabeças com inúmeras ideias. Será assim ou assado? nada disso dizia a geradora, será assim e assado, será tudo, será meus dias felizes, minhas noites de sono, minhas tardes de sol, será também minha preocupação. 
   Assim como o tempo ela veio, criança tem dessas coisas, troca o dia pela noite, o riso pelo choro, pensa que pode tudo, e realmente pode, como dizer não para alguém que nem sabe ainda o significado do sim?
  Hoje ela dorme quieta nos seios da mãe, enquanto escrevo e penso sobre seu futuro ela dorme e sonha, mas com o que será que ela sonha? 
   Isso só ela pode saber...

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