Mar
Um farol distante
Terra
Pedras
Fome
Solidão
Mar
Mar
Eu.
Aos 24 saí de casa para morar só em outra cidade. Na única mala, tudo que eu podia levar para recordar quem eu era. Algumas mudas de roupa, alguns livros, fotografias de épocas diferentes e no meio de tudo isso o medo do que estaria por vir.
Tudo foi rápido demais, e as mudanças que sofri, foram me transformando em outro alguém.
Hoje olho pra trás com saudades, e quando retorno pra terra onde cresci, mesmo com tudo mudando a minha volta, eu ainda me sinto em casa.
Era por volta das nove da noite quando o telefone tocou. Fazia tempo que eu não recebia uma ligação de tão longe. Hesitei por uns segundos antes de atender, e quando ouvi o choro do outro lado do telefone já sabia o que era.
Faziam anos que não falava com meu pai, e desde a minha infância ele não era alguém tão presente. Poucos encontros, quase nenhuma palavra trocada, e nenhum abraço.
Uma das filhas dele me ligou pra dar o aviso. Não consegui chorar, mas aquela notícia me pegou de um jeito estranho.
Minha namorada talvez tenha sentido mais do que eu, e me abraçou forte quando falei pra ela. As lagrimas que escorriam do olhos dela me comoviam bem mais.
Não fui ao velório, e sentia que daquele instante pra frente as coisas mudariam de alguma forma. O mais triste foi dar a notícia pra minha mãe, que ficou em silêncio, e me disse que estava com saudades.
Já faziam dois anos desde o meu casamento, e entre brigas, noites de amor, e muita conversa, as coisas chegaram num ponto que tudo parecia mais seguro e tranquilo; sentia que faltava alguma coisa.
A casa que com o tempo foi se alterando para um estilo nosso, e que agora abrigava um gato velho e preguiçoso, começava a ficar num tom de cinza, um tom de cinza claro, morno e que me causava uma certa angústia.
Ainda amava minha companheira, e ela me amava, mas a rotina foi um golpe injusto que eu não havia calculado com muita clareza, e mesmo sabendo que ela iria chegar não me preparei como devia.
Conversávamos incessantemente de todos
os assuntos possíveis. Eu era falante por natureza, e acabei descobrindo
alguém que além de me ouvir falava tanto como eu. E por mais que nossas
opiniões fossem em caminhos diferentes, algumas vezes, era engraçado como tudo
era fluido e tranquilo.
Sempre achei que aquele papo que as pessoas falavam de amor à primeira
vista era uma barca furada, uma mistura de empolgação e um pouco de falta de
bom senso, mas nada melhor que um pouco de insanidade para alimentar as
esperanças de algo novo.
Em uma noite regada a algumas garrafas de vinho falávamos na
possibilidade de morar juntos. Honestamente não sei como esse assunto surgiu,
mas acabou por virar um algo recorrente entre a gente.
Os meses estavam correndo, e isso parecia algo que se tornava cada vez
mais real.
A distância entre nossas casas foi um ponto chave para que decidíssemos
optar por juntar as coisas, e por mais que o tempo que estávamos juntos não
fosse, para a maioria das pessoas, um ponto que tonasse essa decisão algo
inteligente de se fazer, para nós era algo mais que certo.
Então era isso, a decisão foi tomada, e iriamos arcar com todos os
perigos dela.
Eu morava de aluguel, e a despesa com idas e vindas já pesava no
orçamento. Era evidente então que eu me mudaria para a casa dela, que logo-logo
se tornaria nossa. Vez ou outra pensava nessa frase, "nossa casa", e
ao mesmo tempo que parecia rápido demais, a ideia de ter algo nosso me animava.
Tudo já estava a postos. As caixas já estavam arrumadas, e muitas das
coisas que julgamos não serem necessárias ter em dobro, foram vendidas. como as
coisas eram minhas, minha conta bancária acabava por ganhar um valor a mais, e
eu me sentia importante com aquilo.
Contei pra alguns amigos que decidimos morar juntos, e é engraçada a
polarização de opiniões; a maioria me parabenizou pela coragem, mas sempre tem
o do contra, ou seria esse o conselheiro mais sábio?
- Tem certeza cara? Tu conheceu ela a poucos mais de três meses, essas
coisas levam uma vida pra gente decidir. Eu no teu lugar, pensava mais- Essa
foi a fala de um dos meus amigos mais próximos.
Eu tinha certeza? provavelmente não.
Chegou então a derradeira semana, e faríamos a mudança na sexta feira.
Acho que passei a semana com pequenas crises de ansiedade. mas nada foi
tão sério a pondo de eu voltar atrás.
A maioria das minhas coisas já estavam na casa dela, e minha casa mais
parecia um cenário de um filme apocalíptico. Minha vida se resumia em algumas
caixas de livros, roupas, panos de pratos e algumas panelas.
Cheguei um pouco mais cedo pra esperar ela sair do trabalho. Havia falado
no meu emprego que estava me sentindo mal e não podia ir trabalhar. Não tinha
ninguém naquele lugar que eu devesse uma explicação, e se falasse a verdade eu
sei que ninguém ia me liberar.
Ela me viu sentado em um banco numa praça ao lado de onde ela estava,
deu um assovio e acenou.
Ela estava linda como sempre, e eu ainda estava apaixonado. Era um bom
sinal.
Ávido por escrever algo sentei com o caderno na minha frente. Tentava a todo custo achar uma música que fizesse sentido naquele momento, mas procurar pela música perfeita é quase tão massacrante quanto encontrar um filme para assistir hoje em dia; sempre há aquela sensação de que aquilo já foi feito em algum momento.
As lembranças de uma outra época vinha na minha cabeça embaladas por um sentimento estranho, mas com certeza não era saudade, talvez um sentimento primo.
A xícara de café quente ajudava a manter uma distração enquanto pensava em um tema para abordar. Acho que de madrugada pensei em um bom tema, mas sempre sinto preguiça de acordar para escrever, é algo maior que eu, e isso as vezes é uma merda.
Procuro pela casa algumas moedas tentando somar um troco pra comprar algo barato pra beber, algo para golpear a alma. Olho no relógio e ainda são seis da manhã, provavelmente só o que vou encontrar na rua é aquele ar deprimido que os velhos bêbados exalam ao não terem mais para onde voltar, e não me refiro as suas casas.
A desvantagem de tomar café é que a mente não consegue relaxar o suficiente para pensar, e isso me frustra. Houve um tempo em que poderia escrever qualquer coisa a qualquer momento, os versos me saltavam a mente e me roubavam o sossego. Nada tinha tanta profundidade, mas me ajudavam a extravasar o que havia dentro de mim. Hoje o que mais há é profundidade, mas as palavras já se tornaram mais amargas.
Nada como contas demais e muito trabalho para foder com a mente de alguém.
Provavelmente um filme deve ajudar a pensar, mas qual?
Trajada toda de negro
ela imergiu no meio da multidão. era sexta feira e a festa não estava muito
animada. Na verdade, as festas no centro da cidade não são tão animadas assim.
Embaladas com sons estranhos, e pessoas que de tão brancas reluzem a colonização
do nosso pais, o centro da cidade se confirma como algo que sempre é, podre,
mas como de costume, ao se chegar numa cidade nova é preciso explorar.
Naquele dia eu
acordei sem muitas pretensões, e como o mês ainda estava na metade, o dinheiro
não era tão farto; na verdade nunca foi.
Ela não parecia
também conhecer o local, seu olhar tão perdido como o meu, vagava em meio as
pessoas, como que analisasse o ambiente, tentando validar de alguma forma sua
presença. O cheiro de maconha era forte, então resolvi ficar numa área mais
aberta, mesmo que também fumasse, não queria estar no meio da multidão.
Depois de quase meia
hora ela veio na direção que eu estava, um copo de cerveja na mão e um cigarro
inteiro na outra, era fácil perceber que ela também se sentia deslocada naquele
lugar, mas de certa maneira, isso me confortava, talvez por saber que essa
situação poderia gerar alguma conversa.
Ela tentou acender o
cigarro uma ou duas vezes, mas como se fosse algo divinamente providencial, não
conseguiu. Ofereci meu isqueiro, um Bic vermelho, nada muito interessante, ela
aceitou e ficou parada ali como se esperasse por alguma coisa. Naquela noite eu
já tinha tomado uma ou duas latas de uma cerveja qualquer, sempre escolhia a
opção mais barata, vislumbrando a possibilidade de me embebedar com o menor
custo possível.
"festa estranha
com gente esquisita", esse trecho da música do Renato nunca tinha feito
tanto sentido, resolvi falar essa frase como se esperasse uma resposta
complementar, ela acenou com a cabeça e estendeu a mão falando seu nome, nos
apresentamos e ficamos alguns segundo em silêncio, resolvi acender outro
cigarro, afinal, as semelhanças naquela situação ajudariam a desenvolver algum
raciocínio.
Perguntei de onde ela
era, ela respondeu e perguntou de onde eu vinha, comentou algo que eu não
escutei, mas acabei sorrindo em resposta.
-Perdido por aqui?-
Ela perguntou
Acenei com a cabeça,
dando um trago mais fundo no cigarro.
Seus olhos eram
negros e vazios, e aquilo me trazia uma sensação estranha, talvez de
identificação, mas nada além disso.
-Tu conhece algum
lugar aqui perto com a cerveja mais barata?- perguntei.
-Sei sim, quer ir lá?
Concordei com a
ideia, e saímos andando pra fora da festa. Ainda era cedo, mas aquele lugar não
prometia muita coisa.
Começamos a andar um
ao lado do outro e falar sobre qualquer assunto, falei que achava estranha as
festas em Brasília, sempre pareciam iguais pra mim. Ela riu e acendeu outro
cigarro. Deu dois tragos profundos e me ofereceu. Eu aceitei.
-As vezes não sei
porque venho pra esses lugares, sempre arrependo no final, mas tem dias que
ficar em casa é foda.
Não tinha como
discordar. Tudo naquele lugar seguia um roteiro escrito as pressas que se
resumiam em beber, fumar e terminar a noite com alguém que não vai levar a
lugar nenhum.
Chegamos num barzinho
numa rua estreita, não tinha música, mas o litrão era realmente barato, e
supreendentemente gelado. Tomamos o primeiro copo quase que em um único gole, e
depois seguimos conversando.
A noite ficava cada
vez mais fria, mas o álcool era suficiente para aquecer o corpo.
Ela perguntou o que
eu fazia, e eu respondi que era professor. Era visível que o olhar dela achava
toda aquela situação diferente, quase que uma novidade. Resolvemos pedir batata
frita. Acho que a batata frita é o petisco universal para situações como essas,
não pela simplicidade, mas pelo preço.
Falamos de política,
decepções amorosas, da vida em outras cidades e como esses encontros acabavam
na maioria das vezes.
Seus braços fortes gesticulavam
pelo ar, dando ênfase as suas palavras. Vez ou outra ela prendia e soltava o
cabelo, que parecia ter sido cortado por ela mesma, mas que não tinha ficado
ruim.
Depois da terceira
garrafa ela olhou no relógio e perguntou se eu queria continuar bebendo na casa
dela, com a promessa de haver bebida em casa, e que a gente poderia fazer
alguma coisa pra comer, aceitei sem pensar.
Andamos cerca de meia
hora, falando sem parar. Antes de sair do bar compramos cada um um latão de
cerveja pra garantir que que ficaríamos salvos da sobriedade. O apartamento não
era perto, mas ignorei esse fato.
Chegamos. Ela morava
no terceiro andar de um prédio antigo, a sacada com luzes natalinas, se
destacava em meio as outras varandas. Entrei, tirei minha bota, ela entrou na
cozinha e voltou com um copo cheio de água e uma garrafa de rum, que já não
estava tão cheia assim.
Olhei em volta, e
assim como o prédio, tudo era antigo.
Fomos pra varanda e
continuamos a conversa. Ela falou que a casa era de uma tia que faleceu a um
tempo atrás, e que deixou pra ela, já que não tinha filhos. Ficamos em
silêncio.
Já passava da uma da
manhã e eu tentava medir a minha sobriedade, pensava que talvez fosse melhor eu
parar de beber.
Ela entrou na cozinha
e colocou uma pizza congelada no forno elétrico, era possível ver uma tatuagem
na nuca, mas que não consegui identificar o que era. Levantei e fui ao
banheiro, molhei o rosto e fiz um gargarejo, como se aquilo fosse ajudar em
alguma coisa. Quando saí ela estava ligando um aparelho de som antigo, colocou
um CD do ABBA e deu uma gargalhada, eu não entendi, mas achei aquela situação
engraçada.
Paramos de fumar e
ficamos sentados no sofá, cada um em um canto, mantendo uma distância
confortável entre nós.
O papo rolou até umas
quatro da manhã. Estávamos visivelmente bêbados, mas não estávamos
cansados.
Ela veio até minha
direção e me beijou.
Obviamente que eu
esperava que aquilo fosse acontecer, mas lá pelas duas da manhã já havia
deixado de acreditar nessa possibilidade.
Fomos para o quarto,
e entre beijos e carícias acabamos dormindo.
Lá pelas onze da
manhã ela me acorda, me beija novamente e me chama pra tomar café. levanto meio
perdido, tomo um copo de água e meço os possíveis estragos da ressaca.
Antes do café resolvo
tomar um banho. O álcool que transpira por cada poro do meu corpo aos poucos
evapora na água quente.
Me enxugo, coloco
minha roupa, e vou até a cozinha pra tomar meu café.
Ainda não deu meio dia, mas já estou apaixonado outra vez.
Sentado na mesa da sala tento lembrar quantos dias fazem que estou preso nesse sentimento. Os dias passam por mim e eu não me sinto capaz de fazer as mudanças necessárias, é como se de uma hora pra outra tudo tivesse tomado uma dimensão que eu não sou mais capaz de lidar.
Não foi de uma hora pra outra.
O suicídio por remédios me pareceu uma boa opção, mas não sei se Deus tem planos secretos que ainda não descobri, ou se eu sou incapaz de tomar a dosagem correta, mas não deu muito certo.
As dores que sinto são brutais.
A saudade, a ânsia, a prisão que domina minha mente e minha alma, alimentam em mim um monstro que me suga as esperanças, que outrora foram abundantes, mas hoje são parcas.
Digito freneticamente em frente ao computador, e a luz que ele projeta, é de um branco hospitalar me assombra.
Não consigo parar de pensar, não consigo parar de pensar no que teria acontecido.
Minha família ficaria triste, minha mãe talvez não aguentasse, mas não lembrei disso na hora.
Não comentei com ninguém o que aconteceu, mas comentar essas coisas no meio de uma pandemia não me parece muito inteligente, nem muito saudável.
Já estamos todos cansados de esperar o pior, e qualquer vislumbre de felicidade já nos torna mais gratos por alguma coisa.
Estou cansado, mas depois dessa sexta, e desses quase dois anos de prisão pandêmica/domiciliar, decidi que quero viver.
A partir de hoje as escritas vão se tornar mais frequentes, mesmo que sejam pobres e sem tanta dor, como está sendo esta.
Esse não é um desabafo de alguém que quase morreu, e que não quer continuar. Tá mais pra um golpe na própria cara, pra me lembrar que eu não posso ceder a essa vida mizerável que estava levando.
Agora é, literalmente, tudo ou nada.
Acordei as 6:20, o despertador dessa vez foi o susto de um sonho confuso, acho que tinha algo relacionado com um cachorro, ou alguma coisa assim. Minha companheira que acorda geralmente de madrugada perdeu o horário, dando um pulo repentino da cama. Corremos para o metrô, voltei.
No fogão de quatro bocas, equilibrei uma leiteira de fundo semi-reto, e dentro dela uns quatro dedos de água pro café.
As notícias ecoando no jornal são as mesmas, os fascistas nas praças, as mãe solteiras já estão com as panelas no fogo; o pai bêbado, saiu cedo pro trabalho, talvez hoje ele beba mais e não volte pra casa, mesmo assim tenho que trabalhar.
Já passou das nove, o café já não está tão quente, mesmo assim eu tomo. Acho que me acostumei a viver, mesmo que ainda seja cedo pra dizer isso.
Hoje ouvi Di Melo pela primeira vez.
Fui até beira do abismo
olhei duas veze antes de me jogar
mas antes do susto, a queda
seca, áspera
A boca que guardava o grito não teve tempo
guardou consigo o nó
calado, levantei devagar
olhei pra cima, mas não voltei
No breu, o medo era companheiro fiel
a insegurança me segurava a mãe esquerda
na outra, abria caminho em meio ao desconhecido
já é segunda outra vez, e o café tem que ser amargo
Na juventude pensamos que aos trinta anos tudo estará magicamente resolvido. Lembro quando me perguntaram lá pelos sete ou oito anos o que eu queria ser quando crescer, acho que respondi advogado; um exemplo clássico do filho que se espelha em seu pai.
Os anos se passaram, o segundo grau também e enfim a universidade. Um sonho familiar realizado. Direito? Não! Pedagogia!
Quatro anos e meios pra me formar e finalmente exibir meu diploma aos quatro ventos. Exibi no shopping que eu trabalhava incessantemente, perdendo os melhores anos da minha juventude.
De lá pra cá a vida, que continua cagando pro meu planejamento me levou por outros caminhos. E acho que aprendi algumas coisas.
Sinto falta do tempo onde minha única preocupação era: Será que vou chegar a tempo de assistir TV colosso?
Vide a mim todos que estão perdidos, aflitos ou mesmo sozinhos, pois trago a boa nova. cansados de temer o futuro, vivamos intensamente nossos presentes.
Somos seres cheios de angustias que precisam ser renovadas a cada dia das mais diversas formas. então celebre o agora, o hoje, não haverá amanhã, não haverá cura. Seremos carregados em sacos pretos até que não sobre nenhuma história ser contada, até que não haja nenhuma data a ser celebrada.
voltaremos em breve ao pó inicial, e todas as construções feitas ruirão com o tempo.
Não há amanhã como vislumbramos, pois estamos numa nova era. O fim está próximo. E se caso a dor dessas palavras te causem agonia, medo, ou qualquer sentimento que julgas ruim, não temereis, pois após o fim, não haverá mais com o que se preocupar.
Sufocando todos os dias com pilhas e pilhas de contas a pagar vivemos em busca de um alivio. O país inteiro em colapso, e a a positividade tóxica enchendo nossos pulmões com litros e litros de uma fumaça negra e obscura, que respiramos aos montes.
Nos falam sobre ter responsabilidades, e que para viver bem é preciso consumir. Beba, fume, trabelhe, e goze trinta dias por ano, tenha filhos, consuma mais, planeje seus momentos de paz. Que porra de paz é essa que nos apaga a identidade e nos transforma em meros peões desse jogo sujo?
Sejamos marginais!