Conversávamos incessantemente de todos
os assuntos possíveis. Eu era falante por natureza, e acabei descobrindo
alguém que além de me ouvir falava tanto como eu. E por mais que nossas
opiniões fossem em caminhos diferentes, algumas vezes, era engraçado como tudo
era fluido e tranquilo.
Sempre achei que aquele papo que as pessoas falavam de amor à primeira
vista era uma barca furada, uma mistura de empolgação e um pouco de falta de
bom senso, mas nada melhor que um pouco de insanidade para alimentar as
esperanças de algo novo.
Em uma noite regada a algumas garrafas de vinho falávamos na
possibilidade de morar juntos. Honestamente não sei como esse assunto surgiu,
mas acabou por virar um algo recorrente entre a gente.
Os meses estavam correndo, e isso parecia algo que se tornava cada vez
mais real.
A distância entre nossas casas foi um ponto chave para que decidíssemos
optar por juntar as coisas, e por mais que o tempo que estávamos juntos não
fosse, para a maioria das pessoas, um ponto que tonasse essa decisão algo
inteligente de se fazer, para nós era algo mais que certo.
Então era isso, a decisão foi tomada, e iriamos arcar com todos os
perigos dela.
Eu morava de aluguel, e a despesa com idas e vindas já pesava no
orçamento. Era evidente então que eu me mudaria para a casa dela, que logo-logo
se tornaria nossa. Vez ou outra pensava nessa frase, "nossa casa", e
ao mesmo tempo que parecia rápido demais, a ideia de ter algo nosso me animava.
Tudo já estava a postos. As caixas já estavam arrumadas, e muitas das
coisas que julgamos não serem necessárias ter em dobro, foram vendidas. como as
coisas eram minhas, minha conta bancária acabava por ganhar um valor a mais, e
eu me sentia importante com aquilo.
Contei pra alguns amigos que decidimos morar juntos, e é engraçada a
polarização de opiniões; a maioria me parabenizou pela coragem, mas sempre tem
o do contra, ou seria esse o conselheiro mais sábio?
- Tem certeza cara? Tu conheceu ela a poucos mais de três meses, essas
coisas levam uma vida pra gente decidir. Eu no teu lugar, pensava mais- Essa
foi a fala de um dos meus amigos mais próximos.
Eu tinha certeza? provavelmente não.
Chegou então a derradeira semana, e faríamos a mudança na sexta feira.
Acho que passei a semana com pequenas crises de ansiedade. mas nada foi
tão sério a pondo de eu voltar atrás.
A maioria das minhas coisas já estavam na casa dela, e minha casa mais
parecia um cenário de um filme apocalíptico. Minha vida se resumia em algumas
caixas de livros, roupas, panos de pratos e algumas panelas.
Cheguei um pouco mais cedo pra esperar ela sair do trabalho. Havia falado
no meu emprego que estava me sentindo mal e não podia ir trabalhar. Não tinha
ninguém naquele lugar que eu devesse uma explicação, e se falasse a verdade eu
sei que ninguém ia me liberar.
Ela me viu sentado em um banco numa praça ao lado de onde ela estava,
deu um assovio e acenou.
Ela estava linda como sempre, e eu ainda estava apaixonado. Era um bom
sinal.
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