sexta-feira, 4 de junho de 2021

Sobre descobertas (Capítulo 2)

Conversávamos incessantemente de todos os assuntos possíveis. Eu era falante por natureza, e acabei descobrindo alguém que além de me ouvir falava tanto como eu. E por mais que nossas opiniões fossem em caminhos diferentes, algumas vezes, era engraçado como tudo era fluido e tranquilo.

Sempre achei que aquele papo que as pessoas falavam de amor à primeira vista era uma barca furada, uma mistura de empolgação e um pouco de falta de bom senso, mas nada melhor que um pouco de insanidade para alimentar as esperanças de algo novo.

Em uma noite regada a algumas garrafas de vinho falávamos na possibilidade de morar juntos. Honestamente não sei como esse assunto surgiu, mas acabou por virar um algo recorrente entre a gente.

Os meses estavam correndo, e isso parecia algo que se tornava cada vez mais real.

A distância entre nossas casas foi um ponto chave para que decidíssemos optar por juntar as coisas, e por mais que o tempo que estávamos juntos não fosse, para a maioria das pessoas, um ponto que tonasse essa decisão algo inteligente de se fazer, para nós era algo mais que certo.

Então era isso, a decisão foi tomada, e iriamos arcar com todos os perigos dela.

Eu morava de aluguel, e a despesa com idas e vindas já pesava no orçamento. Era evidente então que eu me mudaria para a casa dela, que logo-logo se tornaria nossa. Vez ou outra pensava nessa frase, "nossa casa", e ao mesmo tempo que parecia rápido demais, a ideia de ter algo nosso me animava.

Tudo já estava a postos. As caixas já estavam arrumadas, e muitas das coisas que julgamos não serem necessárias ter em dobro, foram vendidas. como as coisas eram minhas, minha conta bancária acabava por ganhar um valor a mais, e eu me sentia importante com aquilo.

Contei pra alguns amigos que decidimos morar juntos, e é engraçada a polarização de opiniões; a maioria me parabenizou pela coragem, mas sempre tem o do contra, ou seria esse o conselheiro mais sábio?

- Tem certeza cara? Tu conheceu ela a poucos mais de três meses, essas coisas levam uma vida pra gente decidir. Eu no teu lugar, pensava mais- Essa foi a fala de um dos meus amigos mais próximos. 

Eu tinha certeza? provavelmente não.

Chegou então a derradeira semana, e faríamos a mudança na sexta feira.

Acho que passei a semana com pequenas crises de ansiedade. mas nada foi tão sério a pondo de eu voltar atrás.

A maioria das minhas coisas já estavam na casa dela, e minha casa mais parecia um cenário de um filme apocalíptico. Minha vida se resumia em algumas caixas de livros, roupas, panos de pratos e algumas panelas.

Cheguei um pouco mais cedo pra esperar ela sair do trabalho. Havia falado no meu emprego que estava me sentindo mal e não podia ir trabalhar. Não tinha ninguém naquele lugar que eu devesse uma explicação, e se falasse a verdade eu sei que ninguém ia me liberar.

Ela me viu sentado em um banco numa praça ao lado de onde ela estava, deu um assovio e acenou.

Ela estava linda como sempre, e eu ainda estava apaixonado. Era um bom sinal.


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