Sentado na mesa da sala tento lembrar quantos dias fazem que estou preso nesse sentimento. Os dias passam por mim e eu não me sinto capaz de fazer as mudanças necessárias, é como se de uma hora pra outra tudo tivesse tomado uma dimensão que eu não sou mais capaz de lidar.
Não foi de uma hora pra outra.
O suicídio por remédios me pareceu uma boa opção, mas não sei se Deus tem planos secretos que ainda não descobri, ou se eu sou incapaz de tomar a dosagem correta, mas não deu muito certo.
As dores que sinto são brutais.
A saudade, a ânsia, a prisão que domina minha mente e minha alma, alimentam em mim um monstro que me suga as esperanças, que outrora foram abundantes, mas hoje são parcas.
Digito freneticamente em frente ao computador, e a luz que ele projeta, é de um branco hospitalar me assombra.
Não consigo parar de pensar, não consigo parar de pensar no que teria acontecido.
Minha família ficaria triste, minha mãe talvez não aguentasse, mas não lembrei disso na hora.
Não comentei com ninguém o que aconteceu, mas comentar essas coisas no meio de uma pandemia não me parece muito inteligente, nem muito saudável.
Já estamos todos cansados de esperar o pior, e qualquer vislumbre de felicidade já nos torna mais gratos por alguma coisa.
Estou cansado, mas depois dessa sexta, e desses quase dois anos de prisão pandêmica/domiciliar, decidi que quero viver.
A partir de hoje as escritas vão se tornar mais frequentes, mesmo que sejam pobres e sem tanta dor, como está sendo esta.
Esse não é um desabafo de alguém que quase morreu, e que não quer continuar. Tá mais pra um golpe na própria cara, pra me lembrar que eu não posso ceder a essa vida mizerável que estava levando.
Agora é, literalmente, tudo ou nada.
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