quinta-feira, 17 de abril de 2025

Capítulo 10

O dia brilhava diferente naquele dia 7 de agosto de 2020. O sol iluminava a vida, e todo amor que poderia caber no meu peito havia se multiplicado de uma maneira que não saberia explicar. Agora, nossa pequena Albinha, respirava o ar a nossa volta, e todo paz que havia em seus poucos quilos emanava pelo ambiente. Tudo lá fora se tornou pequeno diante da vastidão de alegria que morava em mim.

Carol, sonolenta pela noite de muito esforço, abria os olhos pesados, que logo depois se fechavam num sono tranquilo. As Horas se passavam e eu flutuava sem sono algum, sempre de prontidão para carregar nossa cria no colo. Pensava o quanto seria bom se eu pudesse alimentar aquele ser tão pequenino, mas já que não podia, ajudava o meu amor a descansar e se alimentar.

Pela parte da tarde, Carol já se agoniava para ir para casa, e mesmo eu querendo esperar um pouco mais, concordei que seria melhor ir para a nossa casa, estaríamos mais protegidos lá.

Todos meus amigos, e os amigos de Carol, já sabiam que Alba estava entre nós. A sua pequeneza, gerava gigante amor e carinho, entre aqueles que esperavam pelo seu nascimento. Já em casa, dona Roberta preparava tudo com fartura. Comida, carinho e zelo. Nossa casa, agora era um local de vida, e mal nenhum podia adentrá-la.

Cheguei a descansar um pouco no primeiro dia, mas acordava assustado com qualquer barulho. Foram vinte vezes, ou mais, levantando e indo ao berço só para ver se ela estava respirando. Carol ria de mim todas as vezes, e dizia que ela estava bem. Os choros me puxavam imediatamente para perto dela, e mesmo o parto tendo sido normal, eu queria que Carol tivesse todo o repouso possível. Vez ou outra ela brigava comigo, dizendo que estava boa das pernas e que não podia ficar o dia inteiro deitada, que não estava doente. Como ficava o dia em casa, achava que poderia fazer todas as coisas possíveis para agradar. Frutas cortadas, pão caseiro, caldos para os dias frios, e todas as delícias que eu olhava na internet. Engordar foi inevitável.

Passamos o primeiro mês isolados, e no segundo começamos a organizar visitas semanais. Mesmo as pessoas insistindo que queriam carregar Alba no colo, a minha cara de pai mau assustava, e logo desistiam. Arregalava os olhos, e ficava com os dentes cerrados, e mesmo sendo involuntário, minha cara não ficava nada convidativa. Mesmo quando foram meus amigos, tive a mesma reação. 

Teresa foi a ultima a visitar. Mesmo sem carregar no colo, seus olhos abraçavam e ninavam nosso fruto, que adormeceu ouvindo sua voz contando histórias bobas. Na saída, Teresa me entregou uma caixa quadrada, e falou que queria que eu guardasse para Albinha. Dentro dela um sapatinho de crochê, verde claro, e com um cadarço de seda. No bilhetinho estava escrito: "essa é a única lembrança que tenho da minha infância, e agora ela vai poder continuar a caminhada que comecei a muito tempo atrás, mas dessa vez com um caminho mais feliz". Minha fama de chorão se confirmava naquele momento.

Demos uma pausa nas visitas. Ainda não era seguro encher a casa de pessoas, e não podíamos arriscar, principalmente agora.

No início de novembro, catalogamos todos os produtos do bazar, e abrimos um site de vendas, com páginas nas redes sociais. Carol fotografava tudo com atenção, escrevendo detalhes sobre os produtos que tínhamos disponíveis. A ajuda dos amigos foi super importante, alavancando as vendas, e animando a recente mamãe. Foi um mês animado, e nossa clientela agora era nacional. Aos poucos fomos diversificando nossos produtos, e melhorando nossas propostas. 

Era uma segunda feira preguiçosa, quando acordei e vi que ninguém estava no quarto. Acordei e chamei por Carol, que não respondeu. Ouvia Alba balbuciando alguma coisa na sala, animada e barulhenta. Levantei e fui ao banheiro jogar uma água na cara, como fazia habitualmente. No espelho do banheiro, escrito em batom escuro “vem pra sala”.

Chegando lá, vi balões verdes pendurados em todos os lugares, divididos em pares. 

-Feliz aniversário papai!- Carol vestiu nossa filha com uma roupinha toda colorida, como um pequeno arco-íris. havia visto ela costurando com uma máquina antiga, que estava guardada no meu apartamento, mas não fazia ideia do que poderia ser.

Corri pra abraçar as duas, quando percebi que o notebook estava aberto, e todos os meus amigos estavam numa chamada de vídeo. Era minha primeira festa de aniversário, com direito a bolo e parabéns, que hora ou outra saía do ritmo por conta do atraso do áudio no computador. 

Não havia dúvidas que a sorte tinha me encontrado.


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