quarta-feira, 9 de abril de 2025

Capítulo 2

 Meu coração quase sai pela boca, fiquei paralisado enquanto minha cabeça redigia um texto fictício criando milhões e milhões de possibilidades. 

-oi, to acordado sim. Está tudo bem?- Acho que nunca me vesti tão rápido na minha vida. coloquei a camisa menos amassada e um short, e corri pro espelho do banheiro. Olhava pr a mim mesmo e pedia calma. Respirava lentamente tentando controlar minha ansiedade, mas estava quase impossível. Na frente do espelho dava pequenos saltos de alegria, como se tivesse ganhado na loteria. Talvez fosse essa a sensação de ganhar na vida. O celular vibrou novamente, era ela.

-Quer descer pra gente pegar um ar?- era claro que eu queria! Ficou obvio que eu tinha ficado preso no seu charme, na sua beleza, e na forma como ela mexia os cabelos sorrindo com os olhos. era óbvio que eu queria descer instantaneamente, como se fosse teletransportado em uma fração de segundo para o térreo.

-claro, deixa só eu colocar uma roupa decente.- Na verdade eu ainda estava na frente do espelho, tentando arrumar meu cabelo desgrenhado. Querer parecer tranquilo era um desafio hercúleo. Sai de fininho pra não acordar Teresa, mas acho que mesmo que eu saísse tocando uma fanfarra ela não escutaria.

Fui até o elevador, os dois estavam no primeiro andar. Apertei freneticamente, na esperança da máquina a minha frente entender a minha pressa, entender que era um caso de urgência, coisa de vida ou morte, mas parecia que para o elevador, minha agonia não importava, e quanto mais eu me sacudisse na frente de sua porta fechada, mais lento ele iria vir. Entrei no elevador e apertei pra descer. Não sei ao certo quantos segundos demorou a minha descida, mas pude ver toda minha vida passando como um filme.

Assim que saí do elevador avistei Carol, foi impossível deixar de mostrar todos os dentes pra ela, acho que se prestasse mais atenção naquele momento, seria capaz de contar todos os dentes da minha boca, todos expostos no meu sorriso. 

Carol parecia uma deusa. Estava usando um vestido indiano, todo bordado em vermelho escuro, parecia estar envolta num manto que se movia em câmera lenta, como num filme de romance clichê. A havaiana branca combinava com as pulseiras que usava nos dois braços, e davam um charme a mais para ela. O cabelo parecia uma moldura esvoaçante, que emoldurava seus olhos castanhos, deixando ainda mais lindo seu sorriso, que não se continha nos lábios, ele se espalhavam por todo seu rosto e corpo de um metro e sessenta e irradiava nos seus olhos.

-Pensei que você já estava dormindo, mas resolvi arriscar. Cadê sua galera? Estão esperando por você?

-Que nada, foi quase todo mundo pra casa, só ficou uma amiga minha, mas está capotada no sofá.

-ah, não quero atrapalhar nada, eu...

-Relaxa, somos só amigos mesmo. De longa data. 

-Vamos dar nossa volta?

Carol me puxou pelo braço e foi me conduzindo pelas ruas próximas ao prédio. Apesar dalí ser um lugar onde a maioria dos moradores tinham mais de quarenta anos, era um bairro muito frequentado por jovens. Não consegui tirar os olhos de Carol, que não parava de falar um segundo sequer; ela me conduzia pelas ruas num passo lento, apontando pros lugares e me contando o que era. Paramos num boteco cheio da galera meia idade, a música era mais baixa, e tinha ainda algumas mesas vazias. Sentamos e pedimos uma cerveja.

Eu tentava parecer inteligente, contava histórias da minha vida, e torcia para parecer interessante, ela ria de praticamente tudo, isso ajudou bastante, afinal, eu não era tão engraçado assim. Falamos de tantas coisas, até chegar no assunto do apartamento. Contei toda a história para ela, e tudo que aconteceu até chergar naquele dia. Ela ficou emocionada com tudo que aconteceu, não imaginava que era triste assim. Depois da terceira cerveja, estávamos os dois chorando recebendo olhares estranhos, vindos da outra mesa. Resolvemos mudar de assunto.

Já passava da meia-noite, e nossa conversa que começou no bazar, ganhou mais elementos. Fomos tecendo vários resumos, até o momento que aconteceu o silêncio. 

Olhamos nos olhos um do outro. Na boca havia um ou dois sorrisos guardados, que revesavam entre nossos lábios e se escondiam logo depois. Meu coração estava batendo forte, tão forte que era possível ver no meu peito. Meus olhos se encontravam com os dela, procurando o melhor jeito de se comunicarem. Aos poucos fomos nos aproximando, ao fundo Marisa Monte cantava "O Bonde do Dom". Podia sentir nossas respirações se aproximando cada vez mais. Nossos olhos foram se fechando lentamente, conforme nossos lábios se aproximavam. Pude sentir seus lábios gelados de cerveja tocando os meus, igualmente gelados. Tudo em volta ficava distante, e só conseguia sentir. Não pensava em nada, não sabia nada, apenas flutuava enquanto nosso beijo acontecia. 

O beijo que começou lento e paciente logo encontrou um amor mais quente, mais voraz e faminto por mais tempo, mais carne, mais de nós dois.

Abrimos os olhos e ficamos nos olhando. O olhar bobo agora não era só meu, era de Carol também. Sorrisos largos e poucos assuntos restavam agora, queríamos mais.

-Opa meu chefe, traz a nossa conta- Foi Carolina que resolveu falar primeiro, eu só sabia olhar para ela, enquanto roubava dois, três, quatro beijos nessa espera infinita pela conta. 

Conta paga.

Andamos com calma pelas ruas no caminho de volta. Falávamos pouco, mas sempre que víamos que estávamos sós, nos beijávamos apaixonadamente. Passamos em frente ao bazar, e fomos em direção ao meu apartamento. subimos abraçados. Não era muito alto, mas o suficiente para que ela colocasse a cabeça no meu peito e me abraçasse pela cintura. 

Estávamos novamente em frente ao 1304, mas dessa vez não era sobre negócios nossa conversa, depois ia descobri que nunca foi sobre negócios, mas isso fica pra outro momento. 

Entramos devagar pra não acordar Teresa, e passamos direto pro quarto. Mal deu tempo de eu trancar a porta, e Carol me puxava pra me beijar. Nossos corpos estavam febris. Pude sentir nossa respiração mais ofegante, e uma força magnética que não permitia a gente se separar. Aos poucos as roupas não foram mais necessárias, e não havia nada que impedisse nossos corpos de se encontrarem.

Minha mão parecia reconhecer cada curva, cada marca, cada centímetro de sua pele. Ao beijar seu pescoço senti todo seu corpo se arrepiar. Seus seios entumecidos encontravam meus lábios, e logo depois minha língua quente, que sentia o prazer em cada centímetro. Fui além. Tomei, entre as suas curvas, um caminho sem volta, e ao reconhecer minha boca seus lábios se abriram e deram a mim tudo que eu esperava ter. O corpo de Carol tremia, se recontorcia num ritmo frenético, era como se aprovasse tudo que eu fazia, e como prêmio me deu seu prazer, seu gozo.

A noite se aprofundava, e em nossas carnes só havia prazer e paz. Depois de oferecer um ao outro tudo que tínhamos, deitamos lado a lado. Ela repousava sua cabeça em meu peito e me segurava com força, parecia estar convencida que eu ia fugir a qualquer momento, e estava pronta para me segurar. Para onde eu poderia ir, se o único lugar que queria estar era ao lado dela.






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